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A Bola de Fogo de São Simão – Parte I PDF Imprimir E-mail
Por Marcelo Zammarian   
26 de dezembro de 2007

Por Marcelo Zammarian - Presidente da Upoani e

Pesquisador de campo do CUB

 

É sabido que na década de 60 tivemos muita atividade aéreo-espacial, dentro daquele período que chamamos de guerra fria - vários destroços de satélites russos ou norte-americanos reentraram na atmosfera terrestre. Durante muitos anos houve segredos não revelados, e ainda muitos deles até hoje não vieram à tona. Um destes fragmentos pode ter resistido à reentrada na atmosfera terrestre e caído na região de São Simão, leste do estado de São Paulo. Existem vários elementos que reentram na atmosfera e as pessoas não se dão conta de quanto lixo espacial cai na Terra. A maioria dos satélites queima, mas algumas partes podem resistir e as que chegam ao solo causam danos e assustam pessoas, principalmente se isso se der perto de uma região populosa. Após quase quarenta anos, a bola de fogo em São Simão é um fenômeno não esclarecido e, uma vez que vamos eliminando as possibilidades, mais mistérios temos a respeito. Fica no ar o que de fato aconteceu. Isso tudo não invalida a possibilidade de ter ocorrido uma queda de um OVNI em São Simão.

 

  

Esta estrada estreita que percorri para ter acesso ao provável local da queda da “bola de fogo”, na verdade na época era o leito onde se assentavam os dormentes e os trilhos da antiga estrada de ferro da Cia. Mogiana, em São Simão.

Depoimento de Luiz Antonio Nogueira, 77 anos. Arqueólogo, antropólogo e historiador amador. Responsável pelo Museu Histórico da cidade de São Simão

 

Upoani: Fale-nos sobre a bola de fogo em São Simão. 

Não tenho certeza do ano, mas em 1967 ou 1968, Marcílio Botelho de Oliveira, da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, falecido em 1971, estava no seu plantão de madrugada na estaçãozinha e viu a noite virar dia. Assustado, não entendeu que clarão era aquele, pelo menos até o momento do impacto, quando ele sentiu que as árvores estavam caindo e ficou muito impressionado. Era quase 4h30 da madrugada. Creio ter sido ele o único simonense que teve a oportunidade de ver o desfecho daquele evento. Não caiu próximo a ele, caiu no cerrado, a cidade toda tremeu. Às sete horas da manhã, todos na cidade comentavam sobre a “bola de fogo” que cruzara os céus de São Simão e que havia caído no cerrado dentro do município.

 

  

Na foto à esquerda, a estaçãozinha já citada, atualmente sendo reformada e adaptada para moradia dentro de uma área particular. Na foto à direita, Sr. Nogueira e um dos proprietários do local, que nos autorizou a visita e surpreendeu-se quando soube por nós, pois desconhecia  totalmente o fato de que havia caído uma bola de fogo nas proximidades daquele lugar.

Upoani: O senhor esteve no lugar da queda? O que o senhor viu? 

Sim, estive próximo e vi uma área que eu calculo mais ou menos de 100 metros, com árvores quebradas e uma depressão no chão. Não posso dar mais detalhes, tive medo, pois eu não sabia o que estava lá. Saulo Gomes, repórter da então TV Tupi na época veio acompanhado de um fotógrafo que tirou fotos, o qual me prometeu enviar algumas delas e estou esperando até hoje. Nos dois ou três dias seguintes, a cidade foi invadida por repórteres, inclusive alguns estrangeiros, falaram até numa tal de “Times” que eu nem sabia que existia.

 

  

À esquerda Sr. Luiz Antonio Nogueira. Na foto ao lado, Sr. Euclides Victorio, Sr. Nogueira e Marcelo, da UPOANI. Sr. Victorio foi quem nos conduziu até o local provável da queda.

Upoani: É verdadeira a informação que na época houve envolvimento de militares e a presença de americanos no local da queda? 

Sim, porque havia homens fardados da Força Aérea tomando conta da área e a partir daí eles não deixavam a gente nem chegar perto. E eu queria saber o que havia acontecido. Muitos deles falavam em inglês e eu não entendia nada. Eu acredito até que técnicos norte-americanos também estiveram no local. Nem tentei voltar mais lá e teve gente que comentava que “Tá na mão dos americanos, mesmo. O que podemos fazer?” Gostaria de dizer também que um capitão na época, o qual não lembro do nome agora, me deu o seguinte conselho: “Nogueira, não toca nesse assunto, não. Você pode se complicar!” Deu a entender que o que caiu aqui foi levado para fora do Brasil. Na seqüência os jornais de fora começaram a publicar que talvez tivesse sido um meteoro. Para nós, simonenses, até então era uma “bola de fogo”. Posso dizer, ainda, que até os jornais da época aqui em São Simão, foram aconselhados para que não publicassem mais nada sobre o assunto.

 

Foto panorâmica na direção que nos foi apontada como o local provável do impacto da “bola de fogo”. Tudo em volta é uma imensa plantação de eucaliptos.

 

Upoani: Quanto tempo demorou a intervenção militar junto ao local da queda?

Foi bem rápido mesmo, inclusive eles nem passaram pela cidade, eles buscaram uma saída que na época ia para São João da Boa Vista. Na cidade de São Simão transitaram somente os jornalistas e suas equipes, os quais se hospedaram nos hotéis.

Upoani: Poderíamos ir até o local onde caiu esse suposto meteoro? Ainda teriam vestígios? 

 

Desde a época do evento, não voltei mais lá. Essas terras foram vendidas, mudou de proprietário por várias vezes. A área foi descaracterizada, porque passaram máquinas de terraplanagem no local e hoje existe uma grande plantação de eucalipto na região. Mesmo assim podemos ir até lá, porém não posso garantir encontrar alguma coisa.

 

 

      

Depois de uma caminhada dentro daquilo que sobrou da mata nativa, chegamos a este local apontado como sendo o provável ponto de impacto do suposto meteoro. As fotos mostram três ângulos diferentes do mesmo ponto. Ao fundo uma nascente, formando uma pequena lagoa.

Conclusão do autor:

Fui também convidado a visitar o Museu Histórico da cidade de São Simão. Ainda existia dentro de mim a expectativa de que eu pudesse ver naquele lugar uma pequena pedra, uma lasca, um pedacinho que pertencesse ao meteorito tão propalado na época. Pasmem! Vi muitas pedras, resultado da garimpagem de anos do Sr. Luiz Antonio Nogueira, mas do “meteorito” mesmo, nada. Absolutamente nada! A hipótese que acredito é que esta mesma “bola de fogo”, vinda do leste, provavelmente tenha feito a sua reentrada sobre o Oceano Atlântico, passou pelo sul do território capixaba, norte do Rio de Janeiro, cruzou todo o extremo sul-mineiro e, já em São Paulo, os céus de Mococa, onde funcionários da Prefeitura que davam plantão naquela noite também testemunharam, infelizmente hoje todos falecidos, e a “bola de fogo” continuou seguindo rumo oeste, cruzando os céus de Sta. Rosa do Viterbo e, finalmente, São Simão.

          

Estive, ainda,  visitando o site da cidade www.butoh.com.br/saosimao/ e também não encontrei em página alguma matéria que fizesse menção ao acontecimento. Saí de São Simão com a forte impressão de que esse assunto foi abafado de tal forma, que quase ninguém sabe dele. Dediquei três semanas com telefonemas, na tentativa de buscar pessoas relacionadas com o aspecto cultural, histórico e turístico da cidade e só no final da terceira semana é que consegui o contato com Sr. Nogueira, que foi quem me relatou, com muita precaução, mas com sua anuência, o que aqui descrevi. Pergunto: O que aconteceu de fato? Meteoro não foi. Teria sido lixo espacial ou OVNI? Quase quarenta anos depois, esta é ainda uma questão aberta.

Última Atualização ( 26 de dezembro de 2007 )
 
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