CASUÍSTICA UFOLÓGICA NA REGIÃO DA ZONA DA MATA MINEIRA.
Por: Wendel Ferreira Martins- Presidente do GICAD (Grupo de Investigação de Campo de Astolfo Dutra-MG).
Introdução:
Em meados de março de 1989 um grupo de amigos com curiosidades em comum, reuniram e fundaram o GICAD (Grupo de Investigação de Campo de Astolfo Dutra) na cidade de Astolfo Dutra na Zona da Mata mineira.
Naquela época éramos impressionados por todos os tipos de matérias relacionadas ao fenômeno Ufo, acreditávamos em quase tudo que era publicado ou discutido, tínhamos uma visão fantástica da possibilidade de estarmos sendo visitados por agentes extraterrenos e como tudo era rodeado de mistérios e repúdios por parte da ciência ortodoxa encontrávamos uma grande oportunidade de diversão e conhecimento através da prática da Ufologia.
Procurávamos ler absolutamente tudo a despeito do assunto, através de contato com o livro do ufólogo mineiro Antônio Faleiro (Passa Tempo-MG) passamos a especular a possibilidade de correlacionarmos o fenômeno ufológico com as crendices folclóricas ricas na nossa zona rural. A partir de julho de 1989 passamos a fazer um trabalho de investigação de campo nas cercanias de nosso município principalmente na região remota das Serras dos Padeiros, Água Limpa, Boa Vista e Pedra do Relógio, utilizamos primariamente o protocolo padronizado pela equipe do CBPDV (Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores) e o questionário utilizado pelos ufólogos da MUFON americana. Fomos de certa forma surpreendidos pelo comportamento passivo e desinteressado dos entrevistados quando perguntados sobre a observação de sondas, extraterrestres, discos voadores e abduções alienígenas era como se falássemos outra língua e pouca coisa foi válida inicialmente. Retomamos a pesquisa utilizando uma linguagem mais simples e coloquial, perguntávamos agora sobre anjos, demônios, mãe d’ouro, mãe d’água, diabinhos, sacis, mulas sem cabeça, mulher de branco e outros termos respeitando o fenômeno cultural e suas representações da religiosidade, folclore, crendices, medos, misticismo e modo de viver fora dos costumes da dita vida moderna e suas atribulações. Passamos a ter em mãos um rico material recheado de relatos e encontros com o fenômeno ufológico em todos os seus estágios e categorias, este nosso trabalho de campo durou até meados de 1991, finalizado por compromissos acadêmicos da maioria dos participantes do grupo, neste período entrevistamos cerca de 350 pessoas, 30 famílias, realizamos 9 vigílias e muitas horas de reflexões analisando a casuística catalogada.
PEDRA DO RELÓGIO - local das vigílias do grupo
Contatos Imediatos / CI:
Agrupamos os relatos em categorias de acordo com o tipo de contato ao fenômeno, de acordo com o método convencional e tradicional adotado por quase todos os grupos de pesquisas ( Contato Imediato de Primeiro Grau-CI Grau 1 - Avistamento de objeto voador não identificado sem identificação de pormenores e características/ Contato Imediato de Segundo Grau-CI Grau 2 - Avistamento de objeto voador ou no solo não identificado com caracterização de detalhes deste objeto/ Contatos Imediato de Terceiro Grau-CI Grau 3 - Avistamento de tripulantes não identificados desses objetos não identificados ). Na nossa pesquisa observamos um grande número de CI Grau 1 em sua maioria ocorrida durante a noite embora percebemos vários relatos em pleno dia; foi registrado 23 relatos na categoria CI grau 2, sendo 5 relatos ocorridos durante o dia; em relação a categoria CI Grau 3 tivemos a oportunidade de analisar 3 casos coerentes que merecem um capítulo à parte. Foi também registrado relatos criptozoológicos (avistamentos de animais estranhos á região), morte de animais e até atividades paranormais não classificadas.
É importante salientar que em todo nossa pesquisa de campo não observamos nenhum fenômeno anormal in locu e mesmo durante as vigílias noturnas apenas visulizamos aparições repentinas de objetos voadores luminosos configurando um CI Grau 1. Foram realizadas filmagens porém de baixa qualidade técnica não merecendo atenção, foram retiradas diversas fotografias das testemunhas e dos principais locais de avistamentos.
CI Grau 3:
Merece a nossa consideração todo e qualquer relato referente ao fenômeno ufológico, mesmo que nada se prove estes relatos e suas testemunhas oculares podem nos ajudar em toda pesquisa e composição de futuras interpretações e explicações; no entanto vale aqui nos ater e relatar os três casos colhidos por nosso grupo que envolveu a observação de figuras humanóides contabilizando um contato CI Grau 3. Mais uma vez é importante salientar que em nenhum momento nossos entrevistados jamais ouvira falar de extraterrestres, tripulantes de naves espaciais ou qualquer termo utilizado hoje pela Ufologia moderna ou tradicional, todos os relatos foram mencionados como avistamentos de diabinhos, sacis ou caboclos da água ( “caboquinhos”d’águas); quando foi solicitado a realização de desenhos é que percebemos à semelhança com outros registros em todo mundo. Não valorizamos a classificação dessas figuras humanóides adotadas por muitos centros de pesquisa pois achamos especulativa e tedenciosa sem um fim científico específico.
Serra da Água limpa - Local aonde o GICAD realiza as pesquisas de campo
Caso 1 - O senhor J.C.L, 49 anos voltava de bicicleta para a sua casa localizada na Serra da Água Limpa por volta das 20:00 horas no mês de setembro do ano de 1981 ou 1982 (a testemunha lembra perfeitamente de todos os detalhes do acontecimento porém tem uma enorme dificuldade em definir o ano exato), era uma noite fria, havia chuviscado um pouco à tarde e em certas lugares existia muito barro na estrada fazendo com que este tivesse que carregar a bicicleta na mão em alguns pontos. Após uma subida íngreme a testemunha se encontrava muito exausta e teve vontade de descansar um pouco e passou a observar uma “estrela estranha” bem á sua frente no horizonte, em certo ponto em outra subida parou um pouco para tirar o barro que agarrava na roda e percebeu um vulto se aproximando cerca de uns 150 metros na estrada, pensando em se tratar de uma pessoa ficou esperando para um comprimento e quem sabe até uma ajuda com a bicicleta. Foram poucos segundo até ele perceber o quão estranho era aquele vulto que se aproximara, “ao chegar perto de mim eu vi uma coisa terrível, era um animal ou gente, parecia um saci de duas pernas com uma roupa esquisita, ele olhou para mim com uns olhos grandes e vermelhos e eu tive muito medo, ele não parou continuou andando normalmente pela estrada, eu fiquei um pouco tonto, mas logo melhorei peguei minha bicicleta na mão carreguei até o início da descida, desci depressa e cheguei em casa normalmente, só fui conta para minha mulher no outro dia”. Em toda narrativa percebemos um olhar ainda de espanto e perplexidade do relator, embora seja uma pessoa de hábitos simples trata-se de um homem de caráter íntegro e inteligente quem em nada beneficiara com tal história. Foi relatado um avistamento de uma figura humanóide de pequena estatura, cerca de 1.30 metros, franzina, com braços e pernas muito finos, cabeça grande, olhos grandes e um pouco vermelhos, boca fina, não havia cabelos e vestia uma roupa tipo um macacão de cor acinzentada claro bem colado ao corpo. Em nenhum momento houve emissão de sons ou qualquer tipo de interação entre o ser e a testemunha, todo o acontecimento durou menos do que 1 minuto, não houve relato de nenhum objeto não identificado no momento do contato e também menção do paradeiro do humanóide. A testemunha relata ter ficada um pouco com tontura durante o contato que logo passou e que não teve qualquer outra reação nos dias posteriores, diz após todos esses anos que se sente tranqüilo e até especial por ter presenciado “tão rara criatura de Deus”.
Local aonde ocorreu o CASO 2
Caso 2 -Tal fato teria acontecido em 1985, dois jovens L.M.T, 23 anos e S.S.S.R, 27 anos, voltavam de um baile na localidade rural Barcas pertencente ao município de Guarani-MG por volta das 03:30 horas (supõem em se tratar do mês de julho), utilizavam uma charrete e como estava muito frio usavam cobertores para o aquecimento, confessaram que estavam levemente embriagados e com muito sono. Logo se aproximaram de uma parte da estrada,que leva a Serra da Água Limpa já no município de Astolfo Dutra-MG onde moravam, que se chama “matinha” um local dito “assombrado” pelos moradores da região, trata-se de um local onde a mata fechada cobre a pequena estrada, local úmido e de pouco visibilidade, como passavam sempre por aí não tinham qualquer medo e não acreditavam em histórias de fantasmas ou assombrações. Para o espanto dos dois nessa madrugada havia perto de uma mina de água algo extremamente brilhante e iluminado, cerca de uns 20 metros da estrada principal, “era com uma grande lâmpada acessa” relatou uma das testemunhas. Não escutavam nenhum tipo de som e achavam em se tratar em princípio de um acidente automobilístico ou algo parecido, desceram da charrete e se aproximaram da fonte luminosa, perceberam então a presença de um objeto oval de limites imprecisos e iluminado por uma luz que saia debaixo deste: “era como um grande ovo achatado, cerca de 3 metros de largura e 3 metros e meio na maior altura, era de cor cinza e tinha uma luz forte saindo da parte de baixo não fazia nenhum barulho e parecia que não tinha contato com a terra”. As duas testemunhas ficaram muito assustadas com o que viram e logo perceberam que aquele objeto não era comum e podia significar perigo, ao tentarem sair do local perceberam a presença de dois pequenos seres logo atrás do objeto: “percebemos duas criaturas atrás do ovo pareciam crianças magrelas, tinham uma cor diferente, não conversavam e não olharam para a gente, nunca tinha visto aquilo era como diabinhos que meu avô contava que existiam naquela mata”. As duas testemunhas nessa hora muito assustadas caminharam rapidamente até a charrete e partiram para suas casas o mais rápido que puderam. É notória a coerência de tal relato, as duas testemunhas foram entrevistadas separadamente e contaram com detalhes a mesma história embora interpretando diferentemente o ocorrido, em momento algum duvidaram do fato observado; os seres pareciam ter cerca de 1.20 metros de altura, eram magros e longilíneos, eram de cor acinzentada brilhante, não houve relato de estarem vestindo algo, tinha a cabeça desproporcional ao corpo, olhos quase que normais, aparência tranqüila, não emitiam nenhum som, não se deram conta de que eram observados, não tinham nenhum cheiro assim como o objeto e pareciam estar pesquisando ou colhendo algo próximo ao objeto; quanto ao objeto eram caracteristicamente de natureza oval, de cor cinza claro com pequenos recortes mais escuros nas laterais, não havia portas ou janelas, não foi visualizado qualquer tipo de apêndice que o ligava ao solo, existia uma pequena luz branca que saia por baixo iluminando um raio de 25 metros. Também neste caso não houve abalo emocional ou conseqüências físicas encontradas nos observadores que pouco deram importância ao fato na época, pois achavam tais visões assombradas próprias de viajantes noturnos.
Moradia das pessoas envolvidas no CASO 3
Caso 3 - Este caso foi o mais estudado, trata-se de um relato original envolvendo pessoas comuns que ainda moram no mesmo lugar, nas encostas da Serra dos Padeiros, divisa dos municípios de Guarani e Descoberto-MG. Embora com controvérsias, tal fato teria acontecido no mês de agosto de 1986, diferentemente dos dois casos anteriores as testemunhas evitam comentar o assunto, são extremamentes superticiosas e relacionam qualquer avistamento ou mesmo comentários sobre com sorte ou azar nas atividades do campo. A senhora M.J.S, 43 anos e sua filha M.F.S.S, 14 anos saíram de casa por volta das 17:00 horas, para pegar lenha em um pequeno ribeirão local, tais madeiras que servem como lenha para o fogão se acumulam em certos trechos do ribeirão (remansos) trazidos por enchentes passadas. Caminharam cerca de 20 minutos até encontrarem um bom local, como logo iria anoitecer pegavam rápido tudo que podiam carregar; em certo momento ambas ouviram um estranho e intenso barulho vindo de uma pequena mata ciliar cerca de 30 metros de onde estavam, a mãe comparou o barulho como de uma picadeira de capim e a filha como se alguém jogasse um monte de latas numa laje de pedras. Curiosas aproximaram do local, trata-se de uma região de difícil acesso não existindo plantações, casas ou pessoas passando por perto, ao chegaram perto nada avistaram e estranharam ainda mais o ocorrido, quando estavam voltando perceberam um movimento numa pequena moita cerca de 15 metros de onde estavam, pensando em se tratar de um animal ficaram olhando e para o espanto das duas perceberam dois seres se afastando do local, caminhavam como que de mãos dadas: “estávamos atrás de uma grande pedra e vimos duas coisas iguais capetinhas indo embora, estavam de mãos dadas, certo momento um deles virou o rosto para nós, estávamos uns 25 metros deles nessa hora, andavam rápido e pouco faziam barulho, eram esquisitos, magros, vestiam uma roupa cinza com uma faixa escura no peito, minha filha ficou muito assustada chegou até dar um grito e então saímos correndo para a casa e nem ligamos para a lenha”. As testemunhas tiveram um bom campo visual para observar as criaturas humanóides, perceberam todos os seus detalhes: eram seres com cerca de 1.30 metros de altura, extremantes magros, longilíneos, braços e pernas muito compridos em relação ao tronco, cabeça grande e peculiar, olhos grandes sem uma definição de cor, usavam como que um macacão de cor acinzentada com uma faixa mais escura em diagonal no tronco (como as utilizadas nos uniformes dos clubes Vasco da Gama-RJ e Ponte Preta-SP), caminhavam rápido e pouco se interessaram pelos observadores humanos, não emitiram nenhum som ou tinham algum cheiro. Neste caso as testemunhas ao chegar em casa tiveram intensa cefaléia, tonturas a te vômitos que logo passaram, relatam uma incomum intranqüilidade dos animais naquela noite assim como em outras noites daquele mês, negam qualquer perda de animais ou outros fenômenos estranhos, o senhor J.B.S, 46 anos, marido e pai das testemunhas relata que nunca vira seus entes tão espantados e emocionalmente abalados como na ocasião e que tivera trabalho para confortá-las, sempre balbuciando “com essas coisas não se brinca”. Um fato estranho e ou curioso encontrado é que neste mesmo local deste avistamento, em 1972 fora encontrado um corpo de uma jovem estuprada e assassinada, um dos crimes mais hediondos de nossa região em todos os tempos, incrível coincidência ou um suporte para teorias diversas.
Com o passar dos anos nosso grupo limitou-se a pequenas reuniões em nossa sede (minha casa) e as vigílias e trabalho de campo foram se tornando raras, retornamos nos anos de 1998, 2001 e 2003 aos locais das primeiras pesquisas, nestes anos houve informação de alguns relatos isolados, porém nem tanto confirmados, a grande maioria dos entrevistados inicialmente já não moram na região, a família que protagonizou o caso 3 ainda estão no local não exatamente na mesma casa. Muitos outros locais onde existem muitas histórias ainda estão por receberem uma maior pesquisa e quem sabe outros relatos impressionantes poderão surgir aumentando a casuística de nossa região.
A GICAD de certa forma renasceu com o ressurgimento do CUB, poderemos retomar as pesquisas de campo tão logo readaptarmos às atribulações da atual vida agitada para todos, espero que todos gostaram deste sucinto relatório embora represente apenas uma pequena parcela da casuística ufológica servem como incentivo para outros grupos realizarem em sua região um apanhado da fenomenologia atual e histórica . Qualquer comentário, dúvidas e opiniões estaremos a disposição nos tópico e site do CUB, no endereço ou correspondências enviadas para a Rua Prefeito José Vieira, 33 Ap. 404, Centro, Astolfo Dutra-MG, CEP 36780000. Um abraço a todos.